domingo, janeiro 21, 2007

A alucinante velocidade dos acontecimentos...



Vale a pena atentar nesta interessante reflexão feita quase à velocidade dos acontecimentos. Num dia deu-se uma revolução, mostrando como a Net pode ser tão útil quanto perigosa. Ver aqui:
"No fundo, o que o eurodeputado português disse ao mundo foi um sinal assustado de reflexividade em que, por um lado, temia pela própria vida; por outro, mostrou que o lugar donde somos originários já não é relevante e que os anjos, as tribos, os demónios e os terroristas (e também os ex-terroristas) jogam a sua pressão nos demais actores do sistema, operando como um virús de efeito múltiplo que pode contagiar todo um corpo que é composto por pessoas, sociedades, valores, crenças e normas, i.é, todo o edifício jurídico-valorativo do Ocidente cristão em hoje em jogo...
Este receio do eurodeputado faz lembrar a revolta das salamandras ou o triunfo dos porcos em que certos animais - ainda que travestidos de pessoas - assumem o comando simbólico da rede de relações sociais e ditam as regras do jogo. É como se os pobres,os marginais e os explorados do mundo, os deserdados da terra, num ápice, pudessem assumir as alavancas do navio e passassem a ditar as regras da navegação e dissessem quem primeiro ía ao fundo ou era comido pelos tubarões.
Talvez devêssemos todos aprender com o verdadeiro significado de tudo que se passou em menos de 24 h. De facto, nesta aldeia global - com que nem Marshall McLuhan sonhou - manda quem captura o capital-simbólico e não quem tem o dinheiro ou os instrumentos legais de fazer política. Por último, fiquei também a saber que hoje se pode morrer pelo simples facto de alguém ter colocado um vídeo no YouTube em que a nossa imagem aparece, nem que seja a dançar...
Qualquer dia teremos de equacionar sériamente melhor a vantagem e as consequências da utilização dos mails, dado que as cartas de amor são ridículas - como explicou Fernando Pessoa - , a vantagem do msn, do Skype e demais dispositivos de comunicação hoje disponíveis na rede, não vá o diabo tecê-las. Qualquer dia, e vem isto a propósito da problemática do aborto que hoje divide a sociedade portuguesa, teremos mesmo de equacionar a possibilidade não só de viver como também de pedir para nascer, solicitando, antecipadamente aos nossos progenitores - que tenham cuidado com as relações sexuais - não vão eles colocar no mundo nados-mortos...

Nós já não vivemos no mundo, vivemos no anti-mundo..."